PANORAMA DO MUNICÍPIO

Antes da chegada dos europeus, o território de Tijucas do Sul era habitado por comunidades indígenas kaigangue e Tupi-Guarani. Posteriormente, com o descobrimento do Brasil mineradores bandeirantes, vicentistas e portugueses, em suas penetrações à procura de ouro, estabeleceram-se em arraiais formando em alguns deles pequenos povoados. Com o passar dos anos, esses se transformaram em vilas e cidades. Arraial Grande foi um dos núcleos fundado por mineradores, do qual se originou o município de Curitiba (1693), do seu desmembramento o de São José dos Pinhais (1853) e deste, o de Tijucas do Sul em 1951.

A região, serviu como ponto de ligação direta entre Curitiba e São Francisco do Sul – com o chamado Caminho dos Ambrósios. Uma trilha histórica utilizada para o transporte de mercadorias.

Nos séculos seguintes ocorreu a chegada dos africanos que foram trazidos, a força, como escravos, para o Brasil. Algumas fazendas nas localidades de Ambrósio, Barreiro, Borges, Cangoera, Lagoinha, Rio de Una, Tabatinga e Salto chegaram a ter dezenas de escravos.

Após as assinaturas das leis anti-escravagistas, a solução encontrada para força de trabalho rural, no Brasil, foi a abertura da imigração para os europeus que vieram como mão de obra livre. Estes imigrantes chegaram neste país fugindo da pobreza que era cada vez mais presente na Europa. Eles se deslocaram em grupos e foram acomodados em colônias. Algumas famílias não se adaptaram em suas colônias originais e saíram em busca de novos lugares. Foram estes os imigrantes que vieram para Tijucas do Sul. Na sua maioria eram poloneses que encontraram na Lagoinha, Rio Abaixo, Rio de Una e Saltinho um novo local para se estabelecerem.

No século XIX, Tijucas do Sul foi palco da Revolução Federalista de 1893, entre os pica-paus (legalistas) e maragatos (revolucionários gaúchos) considerada a guerra civil mais violenta do Brasil. Neste local, houve a resistência legalista com intensos combates que duraram oito dias consecutivos, até a retirada dos pica-paus. As resistências na Vila de Tijucas juntamente com a da cidade da Lapa foram decisivas para a vitória dos legalistas e a consolidação da República recém instalada.

A emancipação político-administrativa do município aconteceu em 14 de novembro de 1951. Sua denominação foi dada em virtude da existência, no local, de áreas formadas por barro preto, que os indígenas locais chamavam de tijuca. E como no estado de Santa Catarina já existia outro município chamado Tijucas, foi adicionado ao nome do município do Paraná a complementação do Sul. Ficando este denominado Tijucas do Sul.

Com mais de 16 mil habitantes, sua economia baseia-se na agropecuária com destaque para a produção de milho, batata inglesa, soja, feijão, agricultura orgânica, cogumelos champignon, morangos além do extrativismo de argila, caulim, madeiras e erva mate. A industrialização embora pequena, vem aos poucos se desenvolvendo.

Do ponto de vista de belezas naturais, há na região as nascentes do Rio Negro e do Rio da Várzea com diversas cachoeiras, além de serras, vales e represas. O clima e a paisagem subtropical propiciam a criação de cavalos de diversas raças e favorecem o turismo rural e ecológico.

O município foi escolhido pelo artista plástico, Sergius Erdelyi, de origem austríaca, para ser sua residência. Este passou a morar, em Tijucas do Sul, desde meados dos anos 1970, onde deixou um legado com mais de 4.000 obras catalogadas e registradas. Sendo que várias das obras estão distribuídas em igrejas, capelas, locais públicos e museu.

Atualmente existem, além de outras caminhadas, 4 roteiros permanentes: Circuito Cachoeiras do Saltinho, Circuito Orgânicos da Serra, Caminho dos Ambrósios e Circuito do Cogumelo Champignon. As caminhadas proporcionam aos visitantes a oportunidade de conhecer as belezas cênicas e de adquirir produtos e artesanatos do município.

FONTES

ROCHA, Sedinei Sales. Tijucas do Sul: aspectos gerais de formação, criação e evolução do município. Campo Largo: Oni Gráfica e Editora Ltda, 2005;

MAROCHI, Maria Angélica. Imigrantes 1870-1950: Os Europeus em São José dos Pinhais. Curitiba: Travessa dos Editores, 2006;

CORRÊA, Maria Celeste. Museu vivo: guia ilustrado da história do Paraná. Curitiba: Olhar Brasileiro Editora, 2007;

IBGE. Disponível em: https://cidades.ibge.gov.br/brasil/pr/tijucas-do-sul/. Acesso: 04/03/2019. EMATER. Disponível em: http://www.emater.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=359. Acesso: 04/03/2019.